Segunda-feira , 25 de Setembro de 2017
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Os Volts e os Amperes

Tenho lido diversas mensagens àcerca dos hipotéticos problemas sobre a utilização de packs de 6 Volts nos receptores de aeromodelismo preparados de fábrica para serem utilizados com “diferenças de potencial” de 4,8 Volts.

Vou tentar explicar de forma acessível a quem não tem conhecimentos de electricidade ou electrónica, como é que funcionam os Miliamperes (intensidade da corrente) e o Volts (diferença de potencial).

Imaginemos uma torneira vulgar das nossas cozinhas, ou uma mangueira plástica de jardim que, quando aberta no máximo, deita uma determinada quantidade de água, que dá para encher uma panela de 2 litros (p.ex.) em 30 segundos.

Se a mangueira tivesse a “boca” mais larga (tubo de maior diametro), deitaria maior quantidade de água no mesmo espaco de tempo, e encheria uma panela de 3 ou 4 litros (em vez de 2 litros) nos mesmos 30 segundos.

No entanto, com esta tubagem de maior diâmetro, para encher a anterior panela de 2 litros, seriam necessários apenas cerca de 20 segundos (em vez dos 30 iniciais).

Do mesmo modo, se fecharmos um pouco a torneira (por forma a diminuir o caudal de água), a mesma panela de 2 litros também se enche mas demorando mais tempo, uma vez que a água cai com menos “intensidade” (tem menos força).

Vamos chamar a quantidade de água, i.e. diâmetro da mangueira = Volts (diferença de potencial), e a velocidade com que a água sai da mangueira =Intensidade (Amperes, Miliamperes, como quiserem).

Como vimos, quanto menor for o diâmetro da mangueira (Volts), maior será a velocidade (Intensidade=Miliamperes) com que a água tem de jorrar para encher o recipiente no mesmo espaço de tempo, podendo até, em situações extremas, furar ou rebentar a panela. (Nao é para rir !!!)

Se o diâmetro da mangueira (Volts) for aumentado, já poderemos fechar um pouco a torneira e a velocidade (I= Amperes) será menor.

Portanto, se um servo está preparado para, com cerca de 5 Volts (4,8), ter uma determinada força e rapidez de resposta, se lhe aumentarem a voltagem ou a intensidade, ele terá mais força e rapidez de resposta (aumento dentro de limites, pois as mangueiras também rebentam sob grande pressão (Intensidade=Miliamperes, Amperes…).

É provável que este texto esteja um pouco confuso, mas à segunda ou terceira leitura :-))) talvez consigam perceber o funcionamento dos Volts e dos Miliamperes.

Portanto, é preferível um pouco mais de diferença de potencial (Volts) do que intensidade (Miliamperes) (grosso modo, pois na prática, as situações são distintas, conforme a aplicação).

Se a intensidade (Miliamperes) for demasiada, (mangueira muito estreita, com uma grande pressão de água, p. ex. apertando a ponta da mangueira com os dedos para o caudal de água ir mais longe, podendo até rebentar a mangueira, ou soltar-se da torneira) corre o risco de “aquecer” demasiado o pack e o receptor. Isto pode acontecer quando o pack já foi utilizado durante algumas horas consecutivamente, e a dif. potencial (Volts) baixou para menos de 4,4 V (?) ou ainda menos, obrigando a um cada vez maior fluxo de corrente (os tais Miliamperes). – ( O diametro da “mangueira” a estreitar cada vez mais, e o jacto de água a sair cada vez com maior pressão, para “compensar” a necessidade de água dentro da panela nos tais 30 segundos, até que tudo se esgota e a torneira já não tem força para deitar água, que entretanto, também já está a acabar na mangueira).

Relembro que esta explicação á apenas para os novatos sem conhecimentos de electrónica, e tem apenas a finalidade de fazer compreender o funcionamento dos packs (com mais ou menos miliamperes). Quantos mais miliamperes tiver o pack, maior será a duração de funcionamento do receptor e servos ( i.e. a panela é maior, leva mais quantidade de água, e demora mais tempo a vazar até se esgotar).

A explicação acima serve também para o carregamento dos packs nos vossos “incansáveis” carregadores.

Se carregarem um pack de 4,8V – 800 mAh com uma intensidade de 80 mAh (no carregador = jacto de água na torneira, neste caso) demoram cerca de 14 H. Se o carregarem a 160 mAh ( o jacto de água na torneira aumentou para o dobro) já só demora cerca de 7 Horas. (No caso dos carregadores, é mais complicado explicar o cálculo do “diâmetro da torneira” (Volts). Digamos que o carregador se encarrega de enviar a corrente para o pack, conforme ele for precisando ( Funciona como quando estamos a encher uma panela com água. Inicialmente, abrimos a torneira no máximo. Quando está quase cheia, vamos gradualmente fechando a torneira para evitar não só os salpicos, mas também para evitar que vaze para fora do recipiente.

Nos Carregadores ditos “inteligentes” (salvo seja 🙂 ), quando a “panela” está cheia, a torneira fecha-se automaticamente (quando o pack está carregado, o carregador desliga).

Agora vamos ao chamado Trickle-charge.

Imaginem que a panela tem um furo minúsculo, que faz vazar uma quantidade mínima de água. A torneira estará sempre a deitar uma pequena quantidade de água por forma a manter o recipiente (pack) cheio (carregado).

Os carregadores mais evoluídos (não me refiro aos que normalmente vêm com os rádios), têm o chamado trickle-charge, que não é mais do estar a compensar constantemente a pequena descarga da maior parte das baterias Ni-Cd. Deste modo, quando se retira do carregador, o pack estará (?) completamente carregado.

Com a constante evolução, já existem outros tipos de pilhas que mantêm a carga durante mais tempo.

Resumindo, não vejo grandes problemas em utilizar packs de 6V (5 pilhas de 1,2V) nos receptores de aeromodelismo preparados para 4,8 V. Pelo contrário, nota-se maior rapidez de resposta e um ligeiro aumento do torque (força).

No entanto, e tal como afirmei no artigo sobre os motores, o melhor é deixar como está ! Talvez nem todos os servos “aguentem” uma dif potencial superior em utilização constante.

Bons voos!

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