Assis Pacheco

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Natural da cidade de Itú, SP, fez seus estudos de canto no Conservatório Dramático e Musical de S. Paulo, com o Maestro Francisco Murino, tendo também estudado pintura na Escola de Belas Artes da mesma cidade. Ainda em S. Paulo prestou concurso para “Madrigalista” do coral Paulistano, que a Prefeitura Municipal organizava, ali ingressando e tornando-se um de seus fundadores.

Convidado pelo Departamento de Cultura da referida Prefeitura, tomou parte como solista em concertos sinfônico-corais nas peças:

– “Missa de Réquiem” de G. Verdi; “Stabat Mater” de G. Rossini; “Nona Sinfonia” de Beethoven; “Paixão de S. João” segundo Bach etc. Nesse gênero, abrangendo as versões Francesa, Italiana, Alemã, Latina e Idisch, teve a possibilidade de apresentar-se, além dos principais teatros do Brasil, nos “Jardins Bellini” de Catania (Itália) e no “Berksshire Music Center” em Tanglewood (EUA). Estreou em ópera, no Teatro Sant’Ana de S. Paulo, no papel de Rodolfo de “La Bohème” de G. Puccini, o que lhe facultou atuações como primeiro tenor nos principais teatros do Brasil, Argentina, Uruguai, Itália, Colômbia e Venezuela.

Além de um repertório operístico extenso nos gêneros Italiano, Francês e Alemão, das românticas às mais dramáticas, foi criador de diversos personagens de óperas Brasileiras como: O Alemão de “Pedro Malazarte” de C. Guarnieri; O Conde Makian de “Izath” e o Corisco de “A menina das nuvens” de H. Villa Lobos; e o João Grilo de “A Compadecida” de J. Siqueira, sempre a convite de seus respectivos autores.

Em 1952 foi premiado com medalha de ouro como melhor cantor lírico do ano, pelas atuações em “Andrea Chénier” de Giordano e “Aida” de Verdi. Em 1960 recebeu diploma e prêmio em dinheiro, concedidos pela Secretaria de Educação e Cultura pelas atuações em “Il Guarany” e “Otello” de C. Gomes e G. Verdi respectivamente, salientando-se o fato de “Otello”, ter sido pela primeira vez cantada por um tenor brasileiro no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Sendo também pintor, teve nessa oportunidade a chance de unir as duas artes, tenor-pintor, participando como figurinista, cenógrafo e ”regisseur”, recebendo de toda a crítica as mais lisonjeiras referências, que lhe valeram vários contratos nessas especialidades. É considerado um dos melhores retratistas do Brasil, tendo também, recebido nos “Salões Paulistas de Belas Artes”, menções honrosas e medalhas de ouro. Nesse mesmo ano, foi nomeado pela Secretaria de Educação e Cultura da Guanabara, para o cargo de “professor de arte teatral” da Escola de Canto Carmen Gomes do Teatro Municipal. Ocupou também o cargo de Diretor da referida Escola, por designação da mesma Secretaria nos anos de 1962/63.

Dotado de grande versatilidade, foi escolhido em 1967, para protagonizar a ópera “Peter Grimes” de B. Britten, pela primeira vez cantada no Brasil, assistida pelo autor. Dirigiu o TBO (Teatro Brasileiro de Ópera), organização promotora de espetáculos de ópera, cujas realizações já foram alvo da admiração do público do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Niterói e Juiz de Fora, etc.

Dividiu suas atividades profissionais entre retratista, tenor, cenógrafo e “regisseur”, sendo considerado um dos mais categorizados artistas pela sua versatilidade.

Em 1971 foi à Itália protagonizar “Il Guarany” de Carlos Gomes, no Teatro San Carlo di Napoli, em comemoração ao centenário dessa ópera.

O tenor Assis Pacheco é considerado o recordista mundial do papel de Pery, do Il Guarany de Carlos Gomes.

Em 1997, Plácido Domingo fez elogiosas referências à Assis Pacheco, tendo-o considerado um dos mais complexos cantores líricos deste século.

Atualmente com 86 anos, vive no Rio de Janeiro, cidade que o acolheu na sua trajetória artística, em companhia de sua mulher, o soprano Marisa Mariz.

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