Poluição da agua

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Desde há muito que os peritos marinhos e aquáticos argumentam que todos os novos compostos introduzidos no nosso mar e rios deveriam ser considerados potencialmente letais.

“No dia seguinte navegávamos sob vento fraco através de um oceano onde a água límpida estava cheia de massas flutuantes e negras de alcatrão, aparentemente sem fim… O Atlântico já não era azul, mas sim cinzento-esverdeado e opaco, coberto de coágulos de petróleo que variavam de tamanho, desde a cabeça de um alfinete até às dimensões de uma sanduíche. No meio do lixo, flutuavam garrafas de plástico.
Poderíamos estar num sujo porto citadino… Tornou-se claro para nós que a humanidade estava realmente a poluir a sua mais vital nascente, o indispensável filtro do nosso planeta, o oceano.”

De: As Expedições Ra por Thor Heyerdalil

Parte da poluição é muito visível: rios espumosos, um brilho oleoso à superfície de um lago, cursos de água atulhados de lixo doméstico (como é o caso do nosso rio Douro). Mas grande parte é invisível. Lagos afetados pelas chuvas ácidas podem ainda parecer muito bonitos mas sem vida.

Infelizmente a agressão ao nosso ambiente aquático não acaba aqui. Nos mares, lagos e rios existe uma enorme diversidade de espécies diferentes muitas das quais fornecem à humanidade muita comida nutritiva. Não existiam ameaças a esta fonte de alimentos antes do séc XIX. Quando navios maiores e técnicas piscatórias mais eficientes, começaram a provocar um sério desgaste nas populações reprodutoras. Desde a baleia de oceano até ao mais pequeno crustáceo de água doce tem sido dizimado pelo Homem.

A difusão de lixo marítimo de pólo a pólo torna necessária uma vigilância internacional. Os navios que derramam impunemente petróleo e poluentes químicos na água dos oceanos. Mas embora as descargas e derrames de petróleo no alto mar tenham efeitos locais importantes, estas águas encontram-se livres dos piores efeitos da poluição.

As principais áreas de preocupação são as que se encontram próximo de terra e de aglomerados humanos. É aqui que a poluição se concentra, é também aqui que se encontra a maioria de vida marinha, nas plataformas continentais.

Efeitos dos poluentes

Efeitos dos poluentes mais comuns que se podem identificar nos rios, lagos, estuários, águas costeiras, pântanos e lençóis de água:

Os nutrientes, incluindo os nitratos encontrados nos esgotos, os fertilizantes e os fosfatos (encontrados nos detergentes e fertilizantes). Em níveis excessivos, os nutrientes estimulam o crescimento de plantas aquáticas e algas. O crescimento excessivo destes organismos pode afetar a navegabilidade; pode provocar uma diminuição do oxigénio, uma vez que estes organismos usam o oxigénio dissolvido à medida que se decompõem; e pode bloquear a luz para águas profundas. Isto afeta seriamente a respiração dos peixes e dos invertebrados aquáticos o que origina uma diminuição da diversidade de animais e plantas; afeta o nosso uso da água para a pesca e a natação. Nos lençóis de água, os fertilizantes e nitratos estão entre os principais contaminadores que podem ir dar a poços de água potável.

As areias finas e outros sólidos suspensos resultantes de zonas de construção, áreas urbanas. Quando estes sedimentos entram em rios, lagos, águas costeiras ou pântanos, a respiração dos peixes é prejudicada, a produtividade das plantas e a profundidade das águas são reduzidas e os organismos e seus habitats são removidos.

Os organismos patogénicos (certas bactérias, viroses, protozoários, transportados pela água) podem causar doenças humanas que variam desde a tifoide e a disenteria até doenças respiratórias e da pele de menor importância. Estes organismos podem ir parar à água através de muitos caminhos, incluindo esgotos tratados inadequadamente, águas provenientes de uma tempestade, sistema sético e barcos que despejam esgotos. Porque é impossível testar a água para cada tipo de bactérias causadoras de doenças, costumam-se fazer testes que permitam encontrar uma bactéria indicadora tal como a coliforme fecal que permite ver se a água está poluída com esgoto que não foi tratado e se outros organismos mais perigosos estão presentes.

O material orgânico pode penetrar nos condutores de água como esgoto ou como folhas. Quando as bactérias e os protozoários naturais na água começam a decompor estes materiais orgânicos, começam a esgotar o oxigénio dissolvido na água. Muitos tipos de peixes não podem sobreviver quando os níveis de oxigénio dissolvido baixam para além dos 2 até 5 partes por milhão.

Os metais (tal como o mercúrio, o chumbo e o cádmio) e os químicos orgânicos tóxicos (tal como o PCB) são geralmente resistentes ao ambiente e podem causar a morte ou falhas reprodutivas nos peixes e noutros animais. Em adição, eles podem acumular-se nos animais e nos tecidos dos peixes, podem ser absorvidos em sedimentos ou encontrar o seu caminho para reservas de água para beber pondo assim em risco a saúde humana.

Os pesticidas e herbicidas usados nos terrenos agrícolas, podem ser levados pela chuva ou pelos sistemas de irrigação para o solo e para as águas superficiais. Estas contaminações são em geral muito persistentes no ambiente e podem-se acumular nos peixes e noutros animais até níveis que podem pôr em risco a saúde humana e o ambiente. Os pesticidas podem infiltrar-se nos terrenos e poluir os poços de água potável.

As modificações do habitat resultam de atividades tais como: a agricultura, a canalização, construção de barragens. Os exemplos típicos dos efeitos da modificação hidrológica incluem perdas da vegetação costeira e aumento da temperatura das águas.

Agua
Agua

Os outros poluentes incluem os sais, contaminantes ácidos e o óleo. A água pode tornar-se imprópria para a vida aquática e para alguns usos humanos quando é contaminada por sais. As fontes de salinidade incluem a água salgada, usada na extração do óleo e a intrusão de água salgada no solo e nas águas superficiais perto da costa. Os problemas de acidez podem ocorrer em áreas com muitas minas abandonadas e em áreas suscetíveis à chuva ácida. As mudanças da acidez (medida do pH), podem alterar o nível tóxico de outros químicos na água e podem tornar lagos ou fontes, impróprias para a vida aquática.

Outros poluentes que preocupam o Homem incluem o crude e outros produtos derivados do petróleo que podem ser derramados durante a sua extração, processamento, transporte ou fuga dos reservatórios subterrâneos; plantas aquáticas venenosas, particularmente espécies introduzidas que competem com outras plantas nativas; e o aumento de temperatura resultante do processo de arrefecimento industrial ou modificações do habitat.

Poluição da água em Portugal

Em Portugal temos vários exemplos do que a poluição é capaz de fazer: os rios, que em tempos foram rios limpos, agora além da água estar bastante suja, o cheiro também é bastante desagradável; as praias ao longo da costa portuguesa, foram também em tempos praias onde a água e a areia eram muito limpas e agora estão bastante poluídas; o Febros, afluente do Douro, que em tempos fora habitado por uma grande abundância e variedade de peixes chegando mesmo a haver lontras, agora é apenas «habitado» por pneus de camiões, garrafas e muitas outras coisas.

Pequenos rios e condutas pluviais servem também de vazadouro, despejando diariamente toneladas de detritos nos rio e no mar. Os efeitos são evidentes: poluição. Certas praias constituem mesmo um risco para a saúde pública. Qualquer proteção, para as crianças ou adultos, que muita das vezes, se encontram bem perto a brincar ou tomar banho, muitas vezes sem saberem o perigo que correm.

Nos rios, como nas praias portuguesas, a poluição existente, a concentração de coliformes constituí mesmo uma ameaça à saúde pública. Mas não é tudo. O esgoto é composto por grandes quantidades de matéria orgânica e organismos patogénicos e ainda sais minerais, que ao chegar, sem tratamento a um rio, a matéria orgânica é degradada, consumindo muito oxigénio. Os organismos patogénicos sobrevivem e os sais minerais alimentam a flora existente que se reproduz rapidamente e nalguns casos, produz substâncias tóxicas. O tratamento dos esgotos eliminaria os organismos patogénicos e facilitaria o controlo do desenvolvimento das plantas fluviais, aumentando a quantidade de oxigénio existente na água.

A flora microbiana e a fauna parasitária muito abundante no esgoto é também motivo de preocupação.

Não devemos esquecer a célebre peste negra que matou tanta gente, nem a cólera em provocada por água inquinada por esgotos.

Poluição da água no mundo

No Reino Unido, cerca de 1 bilião e meio de litros são descarregados todos os dias para o mar através de condutas ao longo da costa. Além disso, aproximadamente 2 milhões de toneladas de lixo tóxico são descarregados para o mar todos os anos. Surgem dois grandes problemas desta descarga: os detritos visíveis derivados dos esgotos e, mais importante ainda, os riscos para a saúde que podem ocorrer depois de usar águas poluídas por esgotos.

As baleias Belugas vivem nas águas do rio S. Lourenço, no Canadá. São as únicas baleias de água doce do mundo. São brancas e tóxicas. Os poluentes industriais e perigosos produtos químicos que se tem vindo a acumular no rio ao longo dos últimos 40 anos são transferidos ao longo da cadeia alimentar para as Belugas. Os tecidos das baleias contêm tais concentrações destes químicos que, segundo a lei canadiana, aos seus corpos têm que ser dado o destino especial dos lixos tóxicos.

Desde 1940 os Estados Unidos acrescentaram 70.000 novas substâncias químicas ao ambiente. Estas, encontram o seu caminho para os solos, água e eventualmente para a nossa alimentação. Ninguém está a salvo. Todos são as vítimas da poluição.

“As indústrias dos Estados Unidos geram à volta de 40 milhões de toneladas de detritos tóxicos por ano, 90% das quais, segundo as estimativas da E.P.A. (Environment Protection Agency), são inadequadamente descarregadas (sem o devido tratamento)”.

Os EUA não dão os únicos. Há muitos países industrializados produtores de substâncias tóxicas.

Estima-se que a água potável dos EUA tem 2100 químicos tóxicos causadores de cancro, mutações celulares e problemas nervosos. As centrais de tratamento existentes não estão preparadas para remover os novos químicos tóxicos, e o governo é lento a tomar medidas para regular as altas taxas de contaminação.

Formas de poluição

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[tab_title]Industrial[/tab_title]
[tab_title]Municipal[/tab_title]
[tab_title]Esgotos pluviais/ escoamento urbano[/tab_title]
[tab_title]Agrícola[/tab_title]
[tab_title]Extração de recursos[/tab_title]
[tab_title]Modificações hidrológicas[/tab_title]
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[tab]Fábricas de polpa e de papel, fábricas de químicos, fábricas de têxteis, fábricas de produtos alimentares.[/tab]
[tab]Estações de tratamento de esgotos que podem receber descargas indiretas de complexos industriais.[/tab]
[tab]Escoamento de superfícies impermeáveis incluindo ruas, edifícios e outras áreas pavimentadas para esgotos ou tubos antes de descarregarem para águas superficiais.[/tab]
[tab]Excesso de fertilizantes que vão infiltrar-se no solo e poluir os lençóis de água subterrâneos e por sua vez os rios ou ribeiros onde estes vão dar.[/tab]
[tab]Minas[/tab]
[tab]Canalizações, construção de barragens.[/tab]
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Fontes que prejudicam a qualidade da água

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[tab_title]Rios[/tab_title]
[tab_title]Lagos[/tab_title]
[tab_title]Estuários[/tab_title]
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[tab]Agricultura
Pontos de origem municipal
Escoamento urbano/ esgotos pluviais
Extração de recursos
Pontos de origem industrial[/tab]
[tab]Agricultura
Escoamento urbano/ esgotos pluviais
Modificações hidrológicas
Pontos de origem municipal
Pontos de origem industrial[/tab]
[tab]Pontos de origem municipal |
Escoamento urbano/ esgotos pluviais
Agricultura
Pontos de origem industrial
Extração de recursos[/tab]
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